Trechos Flavienses Terreiro de Cavalaria
É muito antiga em Chaves a tradição da Cavalaria, pertencendo ao Duque D. Afonso a iniciativa da criação nesta vila de uma Irmandade de Cavaleiros, a que se chamou Capitania de S. João, que entre o fausto da sua exibição e outras proezas, ficou dela muita fama, quando em tempos de domínio espanhol foram à Galiza em torneios, afrontar-se com cavaleiros galegos e os desfeitearam em tudo. E pelos séculos seguintes continuaram essa fama, tendo soado bem alto as proezas da Cavalaria de Chaves que tomou parte nas Guerras da Restauração, depois nas Guerras Peninsulares e em muitas outras contendas menores, ficando célebre o título que mereceram, os afamados Dragões de Chaves. Eram uma tropa de elite, orgulhosa do seu uniforme à polaca, e chegaram a merecer o título da melhor unidade de cavalaria ligeira portuguesa, enquadrada nos quartéis de Chaves nos regimentos 6 e 9 de Cavalaria.
 | O Terreiro da Cavalaria era o largo do seu quartel e aí se faziam os exercícios e os movimentos de parada, com picadeiro junto ao baluarte, e tendo à sua volta outros armazéns e serviços de manutenção. Em tempos, chegou mesmo a alindar-se o lugar com um coreto onde se exibiam os músicos da banda regimental de Cavalaria que rivalizava em afinação e aprumo com a congénere de Infantaria. Todo esse historial, porém, se foi perdendo logo que, pouco a pouco, essa arma se foi transferindo para outros lugares.
 | Nesses anos tinha já desaparecido a porta do Anjo, com guarda e enxovia anexa, e em seu lugar levantaram-se novas construções particulares e fez-se do Terreiro um Jardim, face à estrada que continuava a Rua de Santo António, e ornamentou-se o largo com uma linda pérgula que fez o encanto de muito par de namorados daquele tempo. Foi nessa altura que dada a forma como se apresentava o Terreiro da Cavalaria, largo em baixo e estreito em cima, o bom-humor do nosso povo lhe passou a chamar com muito despropósito o nome de Largo do Bacalhau.
Enquanto isso, o Quartel, um prédio longo e estreito que alcançava todo o comprimento do largo e tinha por trás de si a Rua dos Dragões, encostada ao chamado Bairro Alto, acabou também por ser sacrificado à modernidade da terra, deixando visível o correr das casas da rua face ao largo.
Com a chegada do comboio a Chaves houve que apropriar toda aquela zona para permitir o aumento de trânsito que esse melhoramento viria trazer à vila, e por isso se continuou uma larga avenida depois dos restos das muralhas e dos fossos do baluarte para aquilo que hoje chamamos o Monumento, donde partiram outras vias que vieram criar um novo aspecto da terra.
Honra seja feita à Câmara de Nicolau Mesquita que dedicou à idealização desse projecto o melhor da sua actividade camarária e para o comemorar realizou mesmo umas festas que causaram sensação nas notícias da época.
Grupo Cultural Aquae Flaviae
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