Edição de 30-07-2010
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Arquivo: Edição de 05-02-2010

Sociedade

Alto Tâmega
200 Enfermeiros saíram à rua em protesto

“Estamos em luta pela nossa dignidade, pelo respeito contra a humilhação!” foi o “grito de honra” que os enfermeiros ecoaram durante os três dias de greve, ou seja, entre os dias 27 e 29 de Janeiro.


Os enfermeiros uniram-se em massa em torno de uma e da mesma causa: revolta e insatisfação pela discriminação da profissão. Assim sendo, na média dos três dias de greve, os Centros de Saúde do Alto Tâmega verificaram uma adesão de 100% e o Hospital de Chaves contou com uma taxa de adesão de 90%, “a adesão superou todas as nossas expectativas”, referiu o dirigente do Sindicato de Enfermeiros do Norte, Rui Carvalho.


A manifestação por parte desta classe profissional foi tida como uma das maiores de sempre desde 1976, “o que demonstrou que desta vez os enfermeiros estão mesmo unidos”, afiança Rui Carvalho. Porém, apesar desta grande taxa de adesão, a integridade dos doentes nunca foi posta em causa tendo sido garantidos os serviços mínimos, até porque “não podemos deixar os nossos doentes sem quem cuide deles”, afiança a delegada sindical, Júlia Monteiro.


Mas afinal o que reivindicam os enfermeiros? Esta classe profissional saiu às ruas contestando a última proposta salarial apresentada pelo Ministério da Saúde, que consideram ser inferior à apresentada anteriormente. Isto é, a proposta governamental de ingresso na carreira fixa o salário em 995 euros, um valor abaixo dos actuais 1020 euros e dos 1200 de outros profissionais da Administração Pública. “O que nós pretendemos é ser reconhecidos como licenciados, o que não acontece”, refere Júlia Monteiro.


Contudo, as cotas que limitam o acesso de apenas 10% dos enfermeiros ao topo da carreira foi também outra das batalhas travadas por parte desta classe, a concretizar-se esta proposta nenhum enfermeiro consegue chegar ao topo, porque para isso são necessários 50 anos de exercício profissional, quando na realidade os enfermeiros se aposentam depois de 40 anos de serviço.


Operações adiadas e serviços paralisados

Dada a grande adesão por parte dos enfermeiros à greve, grande parte das operações marcadas no Hospital de Chaves para os três dias da manifestação foram adiadas, a não ser as de carácter urgente. Por seu lado, as consultas programadas nos diversos sectores foram realizadas, mas com menor rapidez.


Já nos Centros de Saúde do Alto Tâmega, os utentes viram-se privados dos serviços ministrados pelos enfermeiros, tais como efectuação de pensos, consultas de planeamento familiar, medição da tensão artérial, entre outros, a não ser situações agudas. A excepção vai para o serviço de urgência básica do Centro de Saúde de Montalegre e Ribeira de Pena que se manteve em funcionamento.


Dois autocarros saíram de Chaves em direcção a Lisboa

O terceiro e último dia de greve culminou numa “mega manifestação” em Lisboa que juntou profissionais de todo o país. No que concerne do Alto Tâmega, saíram dois autocarros repletos de enfermeiros e alunos da Escola Superior de Enfermagem, ou seja, cerca de 200 profissionais, por volta das 7h da manhã de sexta-feira, em direcção à capital.


Vestidos com batas brancas, os enfermeiros concentraram-se em frente ao Ministério da Saúde, de onde seguiram para o Ministério das Finanças entoando “a luta continua, a enfermagem está na rua”. Segundo o sindicato do sector marcaram presença na manifestação de sexta-feira cerca de 20 mil enfermeiros.


Já por Chaves, os enfermeiros percorreram as artérias da urbe flaviense, concentraram-se frente à Câmara de Chaves, ao Pavilhão Gimnodesportivo de Chaves, frente ao Hospital, entre outros locais. O percurso foi acompanhado pelos agentes da PSP, de forma a estabelecer a ordem e assegurar a segurança dos intervenientes na manifestação “a quem todos os enfermeiros agradecem”, garante Júlia Monteiro.


Enfermeiros prometem voltar às ruas

Caso as pretensões desta classe profissional não sejam tidas em conta pela Ministra da Saúde, a luta vai continuar e “os enfermeiros vão voltar às ruas e travar novas formas de luta”, menciona Rui Carvalho. Por seu lado, os sindicatos garantem que os enfermeiros estão “motivados para a luta”, que se irá prolongar até o ministério ter disponibilidade para negociar, e agir de acordo com as reivindicações da proposta sindical, consideradas “justas e possíveis, a nível financeiro”.

Por: Suraia Ferreira

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